Quando eu era adolescente, um amigo chamou minha atenção para um escritor de ficção científica muito famoso: Arthur Charles Clarke. Ficamos horas conversando sobre esse autor. Principalmente por que ele havia se tornado famoso e tinha ajudado na concepção e escrita do roteiro de 2001 - Uma odisséia no espaço. Foi uma tarde muito divertida e diferente. Foi também a primeira vez que ouvi um amigo comentar sobre livros e sobre ficção científica. Eu sempre via a professora fazendo comentários sobre livros e entendo por que meu amigo também fazia: Ele, mesmo sendo muito jovem, amava já a leitura e principalmente o assunto ficção. Coisa boa é ler! Melhor ainda se não for por obrigação e sobre um assunto que você realmente goste. Algum tempo se passou até que eu pudesse entender a leitura como um processo não doloroso e - ao ler algumas obras de Arthur C. Clarke - fiquei também apaixonado. Como podia ser tão criativo e científico ao mesmo tempo? Virei fã. No entanto com uma inquietude constante, pois pude perceber o quão instigante e desesperador é para nós a incerteza sobre o futuro, mesmo que este seja muito bem projetado com embasamento científico como fazia mister Clarke.
Para imaginar o futuro temos o presente como ponto de partida e temos também o passado como parâmetro para calcular em quanto tempo teríamos tal evento, situação ou realidade futurista. Contudo nenhum desses dois: passado e presente, são tão instigantes quanto imaginar o que se pode vir lá na frente. Lembro-me que ficava - e de certa forma ainda fico - surpreso por tentar adivinhar como serão as coisas que nos cercam em mais 2000 anos evolutivos por exemplo. Confesso que isso era e é um exercício mental saudável e ao mesmo tempo lúdico para mim. Os devaneios naquela época eram divididos com amigos adolescentes que discutiam por horas sobre o rumo das invenções e da evolução humana. E assim íamos nos divertindo num tempo que não existiam computadores e celulares em massa, TV interativa e muitas outras coisinhas que hoje são classificadas como maravilhas da modernidade. Hoje faço essa projeção não só pensando no que podemos ter de tecnologia, mas também aonde podemos chegar no processo evolutivo como um todo - animal, humano, mineral e vegetal. Hoje parte do que projeto para o futuro tem a ver com as estórias que li. E o meu gostar das vanguardas e dos filmes de ficção também são frutos dessa época tão deliciosa de conversar sobre o que ainda não existe.
Para falar a verdade, onde podemos chegar me remete a todo o mal que fazemos no tempo presente ao planeta. Extraindo recursos para nosso conforto desenfreado me leva a previsões de ficção científica mais tétricas do que lúdicas. Fico imaginando se hoje os jovens tem preocupação com o futuro nesse campo também. E é nesse ponto que gostaria de tocar quando comecei o assunto de ficção científica.
Quando tinha vinte e poucos anos eu escrevi um texto - que infelizmente se perdeu - onde eu defendia o fim do papel em 50 anos. Já se passaram alguns bons anos desde a previsão que fiz e minha teoria esta - a cada dia - mais perto da realidade. Você já parou para pensar sobre como serão nossos meios de locomoção já que o numero de carros e a extração do petróleo continua crescendo exponencialmente?
Há muito tempo está na moda defender a sustentabilidade do planeta e o seu meio ambiente para que ele nos proporcione o que precisamos para sobreviver e prosperar. Espero que isso se torne moda mesmo e que comecemos a usar essa "roupagem" para proteger o interesse de toda espécie. Antes achávamos que o planeta era forte e que não importava o que fizéssemos o planeta não sucumbiria. Hoje já sabemos que não é bem assim. Não cabe a mim dizer novamente o que estamos fazendo de errado. Isso já foi dito muitas vezes. Estou aqui para uma proposta: Que tal aliar a ficção cientifica para aguçar invenções e soluções eficazes para nossa vida aqui na terra? Hoje Hollywood enaltece a ficção no seu mais alto nível e uma questão bate atrás da nuca: Será que chegaremos nessas épocas algum dia? Essa é uma projeção de futuro que nem Arthur C. Clarke e nem ninguém pode fazer no momento, mas podemos imaginar soluções baseados em ciência e em pensamentos futuros para mudar nossos comportamentos e nosso rumo de hoje!
Pense nisso.
Rondinelli Paier Desteffani
28/01/2010 - Quinta-feira
Adorei que você criou um blog. Assim ficamos ainda mais próximos. Gosto de saber o que você pensa e o que se passa em sua vida (assim como você me disse um tempo atrás).
ResponderExcluirE realmente, precisamos repensar nossas atitudes em relação a esse mundo. São muitas as previsões de cientistas, muitos os fenômenos naturais que dizimam cidades inteiras. E o Brasil já começou a entrar na zona de risco. Se todos abrissem o olhos enquanto é tempo...
Caro amigo, primeiro quero agradecer pelo convite que me fez para visitar o seu blog, fico feliz de ler seus textos, é uma honra.
ResponderExcluirCreio que você poderia dar mais membros a esse corpo, fazer desse pequeno texto tão pequeno e ao mesmo tempo tão reflexivo algo mais repercursivo.
Adorei ler,pensar e repensar algumas atitudes e ao mesmo tempo ser remetido a um texto também perdido que escrevi sobre o esgoto e a água.
É estranho para mim saber que temos um imenso lençol freático sob nossos pés mas que infelizmente poucos podem abrir suas torneiras e beber dela.
Enfim...feliz essa contribuição e mais ainda por estar compartilhando.