segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Intervalos para Alma

        Esse assunto é para gente que acredita que não somos só matéria. Que acredita que temos algo dentro de nós (alma, espírito, espectro etc.) e que essa nossa parte visível nada mais é que um intervalo. Sim, um intervalo para a alma. Se você acredita que não há nada depois daqui pode parar de ler, pois isso não é pra você. Mas se acredita que há algo além ou quer acreditar (mesmo que o ceticismo diga que não) vou abordar então um tema ligado ao assunto que nunca me amedrontou: A morte.  Se você tem medo da morte, com certeza não parou pra pensar como é a dinâmica da vida nesse nosso planeta. Ninguém quer morrer, é obvio. Mas é preciso encarar a morte de frente antes que ela venha. Esse assunto precisa estar bem resolvido e entendido, pois isso lhe trará felicidade. Acredite! Pensar sobre a morte de forma madura lhe trará segurança e felicidade para uma vida que vale (ainda mais) a pena ser vivida.



         Já existe um pensamento que diz que nascemos morrendo. Num ciclo natural, desde o nosso primeiro choro, o relógio biológico da vida está correndo dentro de nós. Mas chegará o fatídico dia onde um ou outro órgão (pelo cansaço do uso) irá falhar e nos levará então para um outro plano. Eu avisei que esse assunto não é para você.



         Como a maior parte das pessoas não pensa muito sobre a morte, então elas tendem  também a confundir o "medo da morte" com "o medo de sofrer antes de morrer".  Nos filmes, na TV, nos livros, nos jornais etc. vemos que a morte está geralmente ligada ao sofrimento físico ou a tensão antes de acontecer de fato. Entretanto, todos os dias, pessoas morrem por fatores que não causam sofrimento direto (a não ser pra quem ficou e sentirá saudades). Já parou pra pensar nisso? Um fator que justifica é o nosso comportamento de aceitação maior quando alguém de vida longa parte de "morte natural". Já no caso de morte acidental de pessoas mais jovens, por exemplo, a aceitação é mais dura.   Nos dois casos há sofrimento para quem fica, mas a cura tem um sentido diferente dentro da gente. Concorda? Já disseram muito sobre o propósito da vida, mas esquecem de dizer qual é o propósito da morte. Por que morremos?



         Em poucas frases a melhor resposta que encontrei é:  Para que lembremos que todos somos iguais perante os mistérios da vida como um todo nesse planeta. Que há uma regra de ciclo que precisa ser respeitada mesmo contra nossa vontade. E para que a vida tenha o deleite e o sabor necessário que a impulsione aos avanços e aprendizados constantes.



         E aprendendo a pensar e a respeitar a morte o medo por ela diminui. O foco agora é outro, veja o porquê:



         Vemos pessoas com os mais diversos tipos de "problemas". Pessoas com muitos problemas acabam inconscientemente se distanciando das razões pelas quais está "vivendo" por aqui. Ficam perdidas. Enchem os consultórios e tomam medicações. E também procuram soluções em locais inapropriados. Eu mesmo já passei por isso. Muitas pessoas passam por isso todos os dias. Então, é preciso ter um propósito pra viver antes de "saber viver", se não a morte passa ser mais importante do que a vida. E ela não é. A morte tem importância na consciência de quem vive e sabe pensar na possibilidade de que ela aconteça: Quer você queira ou não.



         Partindo da verdade que precisamos  viver bem e tendo consciência da morte sem temê-la, faremos justiça ao que nos deram de graça: A vida. Mas pra falar de vida, temos que trabalhar pra esgotar o assunto morte. Não irei abordar aqui os casos acidentais ou antecipados de morte. Algumas mortes não podem ser previstas (como mencionado) e isso torna a vida ainda mais instigante do que a morte "morrida" de cunho natural. 



        Sabemos que a vida é dura. Sabemos então que viver não é fácil. É competitivo e é uma luta constante para manter o corpo e a mente sãos. Sabemos também que a morte significa fim para essa vida que ganhamos aqui. E também nos afronta o medo de ter saudade perdendo quem está do seu lado (um parente, um amigo ou um amor). Ou o medo da falta que vamos fazer. Essas coisas nos aterrorizam, mas elas não deveriam. Nós podemos temer a saudade da perda de uma pessoa amada que morreu. Podemos igualmente temer que a nossa falta cause sofrimento aos que nos amam. No entanto jamais poderemos temer a morte pela morte. Sim, parece confuso mas não é! Esses temores de que falei nós temos que combater com vida em sua plenitude e abundância nesse planeta. Não seja egoísta! Você não é o único que irá morrer e fazer falta pra alguém, como também não deverá passar a vida pensando em quem já morreu. Se você faz isso, saiba que é egoísta. O mundo não gira a sua volta e todos nós estamos debaixo das mesmas leis naturais. Então, erga a cabeça e continue pois tem mais uma coisinha que irei propor (mais a baixo) para que "a ficha caia". Comece se concentrando em quem está vivo do seu lado e como você os pode fazer felizes enquanto também estiver vivo. Esse é o foco! Os céticos dizem que a morte gera a alavanca da crença em algo além e que isso nos traz conforto. Eu digo que a morte é exatamente o ponto que ajusta o caminho da vida, dando sentido a ela.



         Baseado numa conversa com uma colega sobre um famoso programa humorístico televisivo me inspirei para propor essa experiência. Sugiro que vá a uma funerária e peça pra deitar num caixão por 10 minutos. Sim, por dez minutos. Se quiser que a experiência seja profunda, pode pedir pra colocar a tampa durante esse tempo. Qual é? Você não tem coragem de reclamar da vida, de ficar triste ou de até pensar em tirá-la com o seu "livre arbítrio"? Tá com medo de que? Da morte? Nesses 10 minutos pense como se estivesse morto mas com lucidez. Pense em quem sentirá sua falta. E também pense em quem faria falta pra você. Digamos que mesmo que o mundo não sinta sua falta, ou seus parentes ou amigos, ou amores, você vai sentir falta de alguém ou de algo que existe aqui nesse planeta caso você venha a morrer de verdade. Seja sincero! Pense também em todas as pessoas que tem mais que você e no tipo da felicidade que acredita que elas possuem. Passando tanto pelas que são felizes por que tem muito e sabem dividir, quanto pelas fúteis que não sabem o valor das coisas que tem e nem se importam com os outros.  E depois, pra finalizar a experiência, pense em quem tem menos que você: fisicamente, financeiramente, psicologicamente etc. Você tem 10 minutos. Aproveite pra pensar em diversos níveis. Nos seus vizinhos, na sua cidade, em outras cidades, em outros lugares do mundo onde pessoas vivem em outras condições diferentes de você. Na guerra e na fome também, pois são princípios que mais combatem a vida. Vai por mim...Essa experiência é um susto na alma. É o mais próximo que um ser humano pode chegar a dizer para sua consciência de vivo: "Eu não tenho tempo pra perder. A minha vida é muito cara. E curta. Quem manda aqui sou eu até que uma fatalidade ou a naturalidade da vida me tire de cena."



         Agora chegamos num ponto onde vem uma conclusão fatídica:  Para quê ter medo da morte? Se você acredita que estamos de passagem e que a morte não é o fim, para quê temê-la? Tudo que morre não é o que, se não um intervalo para alma? Encare como quiser, mas eu encaro como egoísmo ou covardia se escolher ficar preso na memória da morte ou se resolver abraça-la para "acabar" com seus problemas. Depois do exercício com o caixão, vai com Deus, ou com os deuses...  Se retornamos, ou ficamos em outro plano, se estamos aguardando um evento maior depois que partimos...não importa. O que importa é que você acredite que a morte lhe dá motivos suficientes para querer estar vivo e operante tempo suficiente para aproveitar todo o presente magnífico de viver num planeta cheio de vida e que tem tanto a apresentar. 



         Essa costumava ser uma frase favorita minha: "Tudo que morre fica vivo na lembrança. Como é difícil viver carregando um cemitério na cabeça." que foi cantada por Bruno do Biquíni Cavadão. Hoje não é mais. Não vivo com um cemitério na cabeça. Vivo com lembranças de quem já partiu que foram e estarão vivas, pois a vida... a vida além de ser o que é... É definitivamente:  Um intervalo para alma. 

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