Nasci na década de 70. Nas últimas duas das minhas quatro décadas de vida, eu tenho um sonho recorrente onde uma pessoa muito importante me faz uma pergunta - que parece ser uma espécie de entrevista – A pergunta é sempre dita da mesma maneira: “- Se você pudesse tomar um café de 15 minutos para conversar, quais seriam as 10 pessoas que você escolheria individualmente para esse momento?”
Na maioria das vezes eu acordava pensando em quem indicaria para esse cafezinho. Então uma lista começou a se formar na minha cabeça. Virava e mexia eu pensava sobre esse sonho e sobre a lista. Gente importante, gente simples, família, amigos e até bicho de estimação. As pessoas entravam e saíam da lista por motivos diversos. Hora saudade, hora comportamento, hora pensamento, hora atitude e por ai vai.
Nas primeiras vezes pensando sobre a lista, fiquei qualificando seus integrantes pela importância do coração. E com o tempo aprendi que o café de 15 minutos não significaria que nunca mais pudesse tomar outro café com aquelas pessoas queridas num outro momento. Dessa forma saíram da lista os familiares e os amigos. Esses eu tenho e sei que posso contar pra bem mais que um café. Não se trata de uma lista de quem mais gosto. É uma chance de conhecer 10 pessoas por 15 minutos e assim aprender com elas. Sim, é preferível ouvir aprendendo a falar ensinando. Outra consideração que fiz foi a de que, se fossem pessoas tão especiais, eu deveria me ater à oportunidade de aprender. Obviamente que essa lista de cafezinhos ainda esticou, encolheu e foi mudando ao longo do tempo. Afinal, são duas décadas sonhando com isso em momentos diferentes da vida.
Esse sonho realmente me intriga até hoje e durante o processo ele se tornou uma ideia fixa. De tanto pensar acabei esgotando possibilidades da lista e passei a pensar no que significaria o cafezinho. Fui pra internet pesquisar nas páginas de significado sobre sonhos. Pesquisei também sobre a história do café e no final a conclusão foi que estava indo longe demais. O cafezinho nada mais era que uma pausa, um momento diferente dos outros, um “break” do trabalho, das compras do shopping, das longas horas de curso, enfim... uma pausa. E o que eu faço quando estou numa pausa para o cafezinho? Depende. Se estiver só nesse momento a coisa muda. Pelo menos pra mim. O simples fato de tomar café, já me traz para a esfera da reflexão. Tomar um café sozinho me faz pensar um pouco sobre a vida. Eu viajo muito e assim com no banho, o café solitário me faz ter pequenos “Insights”. E na maior parte das vezes, quando tiro um tempo pra mim, a reflexão é quase que inevitável. Então café sozinho pra mim é igual a reflexão e aprendizado. De outra forma, se estiver acompanhado, e dependendo da companhia, o cafezinho pode ir de fofoca com conversa fiada a “minutos de sabedoria”. Seguindo então a lógica do meu sonho recorrente eu prefiro os preciosos minutos com pessoas que valham a pena. Pelo menos pra mim. Mas ... Quem chamar? Por qual motivo? Essas e outras perguntas continuavam a me incomodar.
Nos últimos anos, comecei a sonhar com a resposta. Pois é, eu já estava mais adiante no sonho. O meu entrevistador até passou a usar paletó cinza com uma gravata branca, não que isso seja relevante, mas mostra que o sonho evoluiu. E também nesse update de ilusão eu penso que devo responder ao “meu entrevistador dos sonhos” de forma coerente e convincente, mesmo que não seja necessariamente o que ele gostaria de ouvir. Começo então uma nova batalha de pensamento sobre respostas. Dessa vez, não a resposta que eu daria, mas a respostas que me fariam escolher as pessoas bacanas da lista. A resposta que elas deram ao mundo e que me encantou a ponto de querer um cafezinho com elas. Olha eu, me colocando num pedestal como se eu fosse a celebridade entrevistadora. Que sonho louco! Mas já que é um sonho e que a resposta do entrevistador também “precisa” ser respondida no meu gancho mental, lá vamos nós!
Partindo dessa nova questão escolhi pessoas pelo grau em que considero que elas têm de percepção e entendimento do mundo a sua volta. Assim as respostas fariam sentido no meu modo de enxergar o café como lição. A complexidade pela qual meu pensamento devaneava sobre o simples fato de ter de escolher 10 dos melhores seres humanos para um café me trouxe para uma nova lista. A lista das pessoas que teriam melhor chance de me fazerem entender (em 15 minutos) questões tidas como complexas. Deus chegou a entrar nessa lista também, mas saiu rapidinho por que a pergunta diz: “- Se você pudessetomar um café de 15 minutos para conversar, quais seriam as 10 pessoas que você escolheria individualmente para esse momento?” Considerei que a pergunta tinha um cunho profissional e filosófico mas do tipo “pés no chão”. E se a resposta fosse Deus e meu entrevistador fosse de crença nenhuma? Não seria uma reposta adequada para o cargo mesmo aparentemente sendo adequada para mim. Então conclui que tirando toda e qualquer dúvida de manter ou tirar Deus da lista, não teria como “tomar” um café com ele. E o “ele” também não poderia ser considerado “pessoa” e sim Deus. Então também tirei os vultos. Pessoas mortas mesmo que importantíssimas não iriam ajudar. Não para um diálogo com café.
Num determinado momento, depois de pensar bastante como nunca havia feito antes, uma resposta para quais pessoas deveriam entrar na lista caiu como uma luva. Não eram as pessoas, mas sim as perguntas que cerceariam minha lista das 10 mais. Não adiantaria ter pessoas fabulosas e importantes na minha lista se não fizesse as perguntas adequadas para aproveitar bem esses 15 minutos de café com cada uma delas. Então a lista foi desmanchada. A partir daí comecei a pensar no que perguntar e não para quem. O que precisava saber de 10 pessoas que seria realmente relevante? Com quinze minutos não poderia fazer muitas perguntas e complexas para uma pessoa só, mas poderia perguntar poucas ou dividir essas perguntas para que cada uma dessas perguntas se encaixasse adequadamente ao perfil escolhido. E pelas perguntas o entrevistador saberia também onde eu gostaria de chegar, mostrando assim ser uma resposta à frente da esperada na suposta entrevista do sonho. Separei 10 das perguntas que adoraria saber de pessoas e ai estão elas:
1) O que é ter sucesso para você?
2) O que ou quem seria um exemplo de sabedoria, de caridade e de prosperidade e por qual motivo?
3) Em sua opinião, qual a coisa mais importante já criada?
4) Quais as 3 pessoas mais relevantes na sua vida e porquê?
5) Supondo que você precisasse escolher um candidato para importante cargo, quais os atributos que levaria em consideração antes de fazer qualquer pergunta para esse mesmo candidato?
6) Considerando o homem e seus feitos do passado, qual é o seu grau de satisfação na maneira em que o nosso mundo se desenvolve hoje, e porquê?
7) Se tivesse que tomar uma decisão muito importante que mudasse a vida das pessoas sem saber se pra pior ou pra melhor, o que você faria?
8) O que é o ter humildade e ser humilde para você?
9) Se tivesse que nomear as 5 coisas mais importantes para você, considerando sua posição atual, quais seriam e porquê?
10) Quem você levaria para tomar um café de 15 minutos com propósito de aprender mais?
Pronto, quando escrevi minha última pergunta me “caiu a ficha” do porquê daquele sonho recorrente. Eu não precisava responder ao entrevistador. O meu entrevistador já tinha cumprido o papel dele. Ele não precisava de uma resposta. Eu é que precisava das perguntas.
A partir desse dia nunca mais tive esse sonho, mas mesmo assim uma resposta estava clara em minha mente, mesmo não precisando dela:
“O meu aprendizado está ligado às minhas escolhas de café. Poderiam ser pessoas brilhantes nas áreas do conhecimento como música, teatro, negócios, política, agricultura etc. E também áreas de importância sentimental como pessoas do meu ciclo familiar e de amizade. Se eu apresentar uma lista de 10, estaria perdendo a oportunidade de tomar café com outras tantas pessoas que, por motivos diversos são importantes em outras esferas. O cafezinho é uma chance de aprender. Estamos tomando cafezinho em todos os momentos, no entanto poucos saboreiam ou se dão conta dessa “pausa”. Te dou então as perguntas que faria. Elas dizem mais de mim e sobre o que estou disposto a aprender do que das pessoas a serem dialogadas. O aprendizado é uma escolha. E pode- se aprender com qualquer pessoa em qualquer nível intelectual. O Sucesso, não está ligado a poder ou ao dinheiro. Posso perguntar sobre sucesso para um pescador maratimba e receber a resposta mais inteligente e simples que jamais esperaria encontrar. Aqui estão minhas perguntas.”
E você? O que perguntaria?
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