segunda-feira, 26 de outubro de 2015

O amor e o amar.

Não quero defini-lo, quero apenas aborda-lo. Nem ouso desafiar tudo que já fora crido sobre esse sentimento chamado Amor e também sobre o verbo amar. Na verdade essa é uma visão pessoal que se coloca como fruto do que meus olhos viram, leram, apreciaram. Do que meus ouvidos ouviram ou ignoraram. Do que o coração sentiu até este momento. Não escrevo aqui como um adolescente a descobrir vulcânicos sentimentos, escrevo como quem caminha na estrada da vida. Nessa onde contamos os anos. Escrevo por ter sentido o amor dos pais. O amor dos irmãos. O amor dos amigos. O amor dos amores. Em fim: o amor de viver. Creio portanto que ja posso fazer duas abordagens: Uma sentimental e uma lógica. Dividindo ambas com quem lê essas palavras.

O que você ama? Como voce ama? Qual a intensidade? Como saber se estou ou estive amando?

Cada uma dessas perguntas tem uma resposta diferente. A resposta vai variar de pessoa pra pessoa. De vida pra vida. Mas todas as respostas nos levam a um denominador comum: O amor existe. E esse amor precisa de um destino mesmo que seja o do amor próprio. Esse onde você se ama verdadeiramente sem se bastar. Pode também ser amor de mãe, amor de Deus, amor por Deus, amor por uma pessoa em especial, amor por um grupo ou pelo seu cachorro. O Amor é como o verbo "to be" da Lingua Inglesa. Ele "é" e "está". Portanto, não se ama o nada, o vazio ou o inexistente. Para existir o amor ele precisa se mostrar (caso contrário não estaríamos falando dele aqui) e o amor se mostra de várias maneira e de uma forma que não é singular.

Por ser complexo, o amor também confunde. Ele acaba atraindo outros sentimentos que, caso você tenha discernimento para separá-los, entenderá que esses sentimentos não estão atrelados ao amor. Exemplos: Paixão, ódio, bem querer, amizade profunda, sexo e por ai vai. Quando alguém reclama que nunca foi ou não está sendo amado, isso é geralmente carência afetiva de cunho acasalador. Ninguém quer ficar sozinho. Pode até ser um desejo biológico por sexo. Isso também pode confundir. Mas tem também o sentimento amor pra vida inteira e talvez até já tenha sido amado nesse sentido de querer estar a vida toda com outro alguém, mas não percebeu e o tempo e as confusões causadas pelo amor acabou anulando isso. É preciso estar atento quando o amor acontecer. Com certeza você já amou e ama de alguma forma que não seja somente para acasalar. Mas como os livros, filmes, novelas, teatro mostram o amor de casal com maior ênfase, é nesse que eu e você nos prendemos quando atrelamos a felicidade ao amor. Entretanto, o amor também pode estar atrelado a uma profunda tristeza. Amor não correspondido, por exemplo, ainda é amor. Ou amor à distância. De qualquer forma pode-se amar também sem favores, sem sexo, sem interesse. Só amar. Por uma causa ou bem maior. Pra te manter vivo fazendo o bem. Isso também é amor. E isso explica por que o amor é complexo e não é singular como fora dito.

E quando vou saber que ele está acontecendo ou se ele já aconteceu comigo?

Pode demorar uma vida toda para perceber o amor ou para senti-lo. Mesmo que ele exista em sua vida desde o ventre materno. O amor não é cego, cega é a paixão, mas você talvez esteja cego nesse exato momento. Talvez não esteja aberto ou pronto para perceber os amores já vividos e sentidos. É a maturidade que irá lhe dar certas certezas. E quando você entende a dimensão do amor na sua vida, acaba concluindo que não existe só um amor. Há amores. E não existe uma forma de amar, há várias. E assim você acaba por compreender onde e quando você amou e também onde e quando amará novamente. Sim, é possivel amar de novo. Todo dia e em vários momentos. O amor pode estar em pequenas coisas ou em grande gestos. Numa vida que viveu com alguém que até hoje lhe tras boas lembranças ou num novo e avassalador amor que não te larga o pensamento. O amor pode estar na saudade da sua avó (avô) ou no seu novo bicho de estimação. O amor pode também estar em tirar as sandálias e oferta-las para um mendigo descalço sem pestanejar. Pode estar em medir as palavras e pode estar em falar com o coração. E se você tirar um tempo pra pensar nos tipos e formas de amar, vai entender que já amou em algum momento da sua vida e que continua amando todos os dias.

Mas e o amor de namoro ou de casamento? Como vou saber se já amei alguém algum dia? Tenho dúvidas.

Para essa resposta, olhe prá tras. Veja o quanto de saudade você sente de alguém. Ou que já partiu dessa vida, ou que não é mais parte do seu convívio. Se soltar um leve sorriso, mesmo que mentalmente, mesmo depois de tudo que passou de bom e "especialmente" ruim, amou... amou... amou! Você amou. E ama

E hoje... se você sente que poderia dar parte de você para que uma outra pessoa seja feliz, você está amando.

Mas... se essa escrita não respondeu nada do que você pensa ou acredita sobre o amar e sobre o amor... sugiro que você vá pro dicionário e depois leia Camões. :-) Rondinelli Desteffani

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